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  • De bandidos a heróis: imprensa começa a mostrar que os donos da JBS invertem os papéis e agora são os mocinhos de uma história sórdida construída por eles
De bandidos a heróis: imprensa começa a mostrar que os donos da JBS invertem os papéis e agora são os mocinhos de uma história sórdida construída por eles
  • Fonte: Por David Casseb
  • Publicada em 19/05/2017 às 14:37
Por David Casseb

A estória de que foram “forçados a corromper para crescer” é o argumento principal de Joesley Batista, o irmão “cabeça” da holding

A JBS multinacional de proteína animal, alvo de várias investigações, conseguiu inverter o foco para sair de vítima em vários processos. Michel Temer, Presidente da República declarou que não aceita as acusações feitas por Joesley Batista, e acredita que o fato somente aconteceu após a holding entrar na mira de pelo menos cinco operações policiais — Greenfield, Sépsis, Cui Bono, Bullish e Carne Fraca.

No âmbito da colaboração, que já foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sete empresários, incluindo Joesley, gravaram diálogos embaraçosos com o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), entre outros.O dono do grupo JBS, Joesley Bastista, enviou uma carta na noite desta quinta-feira pedindo desculpas “a todos os brasileiros” e reconhecendo os erros ao “interagir em diversos momentos com o poder público brasileiro”. Os executivos da maior produtora de proteína animal do mundo decidiram fechar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

Especula-se no meios políticos e da imprensa internacional que a metralhadora da Holding somente se virou para o lado do governo para desviar a atenção de Lula, cada vez mais implicado na Lava-Jato, já que a empresa teve um boom de desenvolvimento nos governos petistas.

O jornalista Reinaldo Azevedo, em sua coluna de hoje, sentencia claramente o que aconteceu nos bastidores e o gran finale para os irmãos Batista:

“…É claro que o presidente Michel Temer está sendo vítima de uma conspiração meticulosa e muito bem-sucedida. Todos sabem que os irmãos Joesley e Wesley Batista eram íntimos e grandes beneficiários do regime petista. Aliás, dava-se de barato: querem pegar o PT? Então peguem a JBS. A coisa ganhou até tradução popular. Que jornalista não foi indagado no táxi sobre uma suposta fazenda de Lulinha, em sociedade com a JBS? Que se saiba, tudo conversa mole. Nunca houve.

Mas a dupla caiu na rede da Lava Jato. Os irmãos foram assediados pela força-tarefa. Sabe-se lá com quantas ameaças. Como não devem ter memória muito limpa do que fizeram nos verões passados, resolveram “colaborar”. Mas não com uma delação premiada no molde Marcelo Odebrecht. Não!

Empregou-se a tática aplicada no caso Sérgio Machado, aquele que se dispôs a gravar peixões da República. Com a mesma generosidade. Em troca, os filhos de Machado nem processados foram. O criminoso pegou dois anos e três meses de cadeia em sua mansão, em Fortaleza.

Aos irmãos Batista se ofereceu ainda mais: “Entreguem o presidente da República, apelando a uma conversa induzida, gravada de forma clandestina. Façam o mesmo com o principal líder da oposição, e vocês nem precisarão ficar no Brasil, sentindo o odor dessa pobrada, que vai pagar o pato. Nós os condenaremos a morar em apartamento de bilionário em Nova York. Impunidade nunca mais!”  e a ganhar enormes somas ao investir sorrateiramente na bolsa de valores.

Caso Temer - Por outro lado a acusação do presidente Michel Temer força a posição de grandes partidos em relação ao combate a corrupção, o que movimentou o cenário político brasileiro tornando o infalso e por consequencia a dita “delação” balançou o mercado financeiro, onde o delator sorrateiramente havia feito investimentos.  O desenrolar do fato pela imprensa se tornou um quebra cabeça a ser montado pelo cidadão, em especial o eleitor.

  • Atualizada em 19/05/2017 às 14:42:12