VOCÊ ESTÁ AQUI:
  • Denilso de Lima, criador do website (blog) Inglês na Ponta da Língua
Denilso de Lima, criador do website (blog) Inglês na Ponta da Língua
  • Fonte: Redação orondoniense
  • Publicada em 03/02/2018 às 10:42
Aos 41 anos de idade, o professor de inglês tem uma história que envolve a paixão no que se propõe a fazer: o inglês e a fotografia.

Denilso de Lima, criador do website (blog) Inglês na Ponta da Língua, nasceu na cidade de Santa Helena, Paraná. Com 1 ano de idade seus pais se mudaram para Ji-Paraná, Rondônia, e em seguida para Porto Velho, onde tem residência.

Aos 41 anos o professor de inglês tem uma história que envolve a paixão no que se propõe a fazer, os resultados são os melhores: um prêmio nacional para o trabalho como professor de inglês na rede digital e milhares de acessos em fotos, que naturalmente se tornaram viral na rede de computadores.

A ambição que o acompanha não é monetária, mas a de alcançar resultados extraordinários e positivos, o que faz com que naturalmente atraia para si milhares de pessoas.

Primeiro o resultado de um site de aprendizado em inglês que virou a empresa na qual se dedica hoje; depois a relação com a fotografia, que nem de longe estava nos seus planos, mas que entrou na sua vida como um hobby para livrá-lo do estress do escritório.

O que aconteceu? O site atraiu de forma orgânica milhares de seguidores e foi motivo de um prêmio nacional, vindo a se tornar uma empresa: Inglês na Ponta da Lingua (site https://www.inglesnapontadalingua.com.br) e mais tarde o que era uma distração virou um show de imagens no perfil Denilso de Lima, um álbum que até o fechamento desta entrevista chegou a 1.636 compartilhamentos e 1 milhão e 800 curtidas, trata-se das fotos inéditas da queima de fogos na virada do ano em Porto Velho de 2018, por um ângulo inédito.

Nossa reportagem foi conhecer o Denilso de Lima e revela a simplicidade deste empreendedor nato.

Orondoniense: O que motivou o inglês?

Denilso de Lima -  Quando eu tinha uns 12 anos de idade eu assistia televisão e via uma pessoa falando uma lingua estranha para mim, os adultos falavam que era o inglês, mas a parte mais  engraçada é que as eles também falavam que o inglês era uma língua falada de trás para frente.

Na cabeça de uma criança, eu achava que era só pegar o português e escrever de trás para frente. Comecei a aprender a falar o português de trás pra frente, até que um dia eu percebi que não tinha nada haver e comecei a aprender corretamente o que era o inglês.

Orondoniense: Como estudava?

Denilso de Lima -  Sempre pegava livros na biblioteca da escola Major Guapindaia, onde estudei o ensino médio. Quando tinha aula de inglês eu achava o máximo. Corria atrás de livros e algumas pessoas da igreja que eu frequentava me davam livros, e isso foi me ajudando.

Orondoniense: E seus estudos foi só com livros ou houve material para ajudar, dar suporte na pronúncia?

Denilso de Lima -  Com um tempo eu ganhei um material que tinha fita K7 eu ia ouvindo, mas um dia este material foi atacado por formigas e eu perdi. Eu estava começando a trabalhar na Zona Azul, sistema rotativo de estacionamento que tinha no centro da cidade, você trabalhava meio período e tinha que estar na escola. Era um programa da Empresa de Desenvolvimento Urbano (EMDUR) em parceria com a Prefeitura de Porto Velho e com isso eu tinha uma graninha para comprar revistas que vinham com fitas cassetes.

Teve um tempo que eu não tinha o tocador de fitas cassetes, dai eu fiquei parado, mas até que um dia eu conseguir um tocador de cassete, daqueles famosos Walk Man, aí comecei a ouvir e para praticar o inglês eu falava sozinho. Muita gente falava que não ia dar certo, mas eu não estava nem aí, eu tinha que falar de qualquer maneira. Como eu trabalhava no centro comercial da cidade e às vezes aparecia muitos gringos que usavam os serviços dos correios, eu aproveitava para perguntar as horas e a pessoa falava, eu aproveitava para arranhar o meu inglês e acabava batendo papo, com isso fui aprendendo.

Tem uma série de estratégias que fui criando para pensar o inglês e desenvolver, até que um dia entre 1998 e 2001, prestei os exames de Cambridge. Sendo o FCE em 1998, o CAE em 1999 e o CPE em 2001. Os exames mais difíceis na área de inglês do mundo, fui fazendo e fui passando e aí foi correr para o abraço, digamos assim, cheguei a coroação de quem havia aprendido inglê.

Orondoniense: Trabalhou como professor de inglês de 1995 a 2008. Durante este período, desempenhou também, em várias escolas, a função de coordenador pedagógico e até mesmo de diretor administrativo. De 2008 a 2011, trabalhou como Coordenador Pedagógico Nacional de uma rede de franquias que atua principalmente no Sul do país. E a experiência profissional?

Denilso de Lima -  Mas como eu disse que sou ambicioso eu não queria ficar só nisso, eu queria mais, então eu queria crescer profissionalmente na área e com livros, e isso aconteceu.

O blog ‘Inglês na Ponta da Língua’ recebeu o troféu e um certificado dizendo: “O Top blog Prêmio, edição 2009, confere ao Inglês na Ponta da Língua o título de Top 1 na categoria Cultura”, prêmiação em São Paulo. Com a Votação Popular, eleito melhor site de cultura no Brasil 2010, sendo que o segundo lugar ficou para o renomado Marcelo Tass, que na época apresentava o programa CQC. Os critérios era o site ter bastante acesso, um conteúdo de qualidade, ser ativo, com postagens frequentes.

Orondoniense: Como explicar isso…

Denilso de Lima -  Nos números de hoje chegamos a ter de hum milhão e meio a dois milhões de visitas por mês, desde o início eu sempre me preocupei com a qualidade do conteúdo publicado. Não é só dar dicas básicas de inglês, porque muitos podem aprender com o dicionário, mas sim como aprender a desenvolver o idioma e como adquirir fluência.

Também procurei fazer com que o meu trabalho seja um alerta para os estudantes e clientes, para que não sejam enganados por qualquer oferta. É preciso escolher bem a escola e os professores ao investir seu dinheiro e tempo para aprender a língua inglesa.

Orondoniense: Depois disso o que vem fazendo?

Denilso de Lima -  Continuo mantendo o site e a página no Facebook. O Inglês na Ponta da Lingua se tornou uma empresa. Até o ano do 2011 estava morando em Curitiba, passei uns 4 anos em Curitiba, e ai voltei para Porto Velho e montei meu escritório aqui. Não dou aulas particulares de inglês e nem na rede escolar, porque o tempo é todo dedicado a administração do site.

Orondoniense: O conteúdo que você produz de que forma as pessoas chegam até ele?

Denilso de Lima - Geralmente se as pessoas fizerem uma pesquisa em busca do inglês no Google vão chegar ao “Ingles na Ponta da Lingua”, eu não faço marketing digital, eu não pago propaganda, tudo é orgânico, tanto no facebook, Instagram, Docsite e Youtube. Devido a força e a qualidade do material eu posso ficar um bom tempo sem publicar que ele continua tranquilamente lá, as pessoas confiam no meu trabalho, como professor de inglês, com livros publicados e tudo mais, as pessoas sabem que as informações que eles vão encontrar no site são confiáveis.

Orondoniense: Os livros publicados também são todos relacionados ao inglês?

Denilso de Lima - Eu tenho três livros fisicos,  mas na série digital eu tenho dez e-books, que são os eletrônicos. Os três físicos são encontrados em livrarias, com base na minha especialidade e que no Brasil poucas pessoas conhecem, é uma abordagem que eu divulgo no Brasil desde 1999.

Em 2003 eu escrevi o meu primeiro livro intitulado: “O Inglês na Ponta da Língua”, contando um pouco da história sobre como aprendi o inglês. Eu nunca frequentei cursos de idioma ou viajei para o exterior para aprender, eu aprendi tudo em Porto Velho, na década de 90 sem internet , sem nada.

Depois do primeiro livro, veio um segundo livro, que é uma gramática de uso da língua inglesa, poucas pessoas sabem que alguém de Rondônia fez uma gramática de inglês que é vendida em todo o Brasil.

Para eu ganhar projeção eu tive que ir para uma cidade que não fosse Porto Velho. Aqui eu ia continuar sendo mais um professor de inglês, e como eu sou ambicioso nesta carreira, eu fui passar um tempo em Curitiba, onde tenho família e ficava mais fácil.

O site completa dia 19 de janeiro 11 anos, primeiro foi só inserindo o conteúdo, depois fui implementando cursos, vídeos, área exclusiva de assinantes, depois comecei a usar para ganhar dinheiro e virou uma pessoa jurídica, para poder existir e movimentar o negócio.

Orondoniense: Tem cursos?

Denilso de Lima - Conseguimos ter um bom número de inscritos em curso, chega a ser uma média de 150 inscritos. Mas a média em outros casos chegam a 50 participantes ao mês, nesta parte não há muita ambição, dá muito trabalho. Afinal eu trabalho assim há 35 anos e ganhei 3 pontes de safena, por isso o hobby da fotografia é uma válvula de escape.

Orondoniense: Fotografia ou Inglês?

Denilso de Lima  - Eu não trabalho com fotografia. Fotografia para mim é um hobby. Eu trabalho com o ensino de língua inglesa, especialista em abordagem de ensino de língua inglesa. Tenho vários livros publicados e sou dono de um dos maiores sites de língua inglesa do Brasil, com vários formatos de conteúdos. Então profissionalmente o meu trabalho é na área de  linguística e ensino de inglês. Fotografia é hobby.

Orondoniense: Como a fotografia entrou na sua vida?

Denilso de Lima - Tem várias histórias. Meu pai era fotógrafo em Porto Velho, mas não era daqueles famosos. Ele atendia os amigos quando chamavam para fotografar eventos. Foi algo que nunca me atraiu, não pensava em fotografia. Foi aproximadamente há 3 anos que eu comprei um equipamento. O site começou a  crescer e algumas pessoas questionavam porque não gravavamos video para o You Tube. Precisavamos acompanhar o ritmo então eu comprei um equipamento bom para gravar vídeos relacionados ao site “Inglês na Ponta da Língua”.  

Eu sempre procurei também um hooby que me fizesse sair de dentro do escritório, porque eu trabalho em casa o tempo todo. Precisava de algo que me desligasse do computador e dos livros, aí eu resolvi pegar o equipamento que havia comprado e sair por aí tirando foto.

Orondoniense: Fotos do ambiente de festejos natalinos…

Denilso de Lima -  Faz mais ou menos 1 ano e meio que eu comecei a aprender a fazer fotos. Passei a entender o equipamento, a máquina e outros segredinhos que tem para configurar a câmera. Fiz algumas fotos e o pessoal gostou bastante.

Em 2015 teve umas fotos dos festejos do Natal que viralizou, o álbum foi compartilhado mais de 5 ou 6 mil vezes. Era um álbum mostrando os locais de Porto Velho decorado. Mas eu fiz essas fotos e deixei o hobby um pouco de lado.

Ano passado eu precisava sair novamente daquele estress do ambiente de trabalho e pensei em sair de casa para caminhar e fazer fotos. Comecei a ir em locais que eu ainda não tinha ido, registrava em fotos e postava e as pessoas estavam gostando

Orondoniense: Quais os pontos que você mais gosta de fotografar?

Denilso de Lima - Os pontos que mais gosto são paisagens. Eu gosto de dizer o que não é convencional. Olho e penso: tem algo de diferente ai! Me aproximo e mudo o angulo de captura, acho que esse é o diferencial.

Eu não sou fotografo profissional, embora esteja estudando com minha esposa, ela já esta mais indo para este lado de ter um portifólio. Eu no momento não faço por dinheiro, faço para desestressar do trabalho com inglês. Quando vou fazer o registro fotográfico eu procuro paisagens e tento sair do comum. Mostrar a cena por um ângulo que ninguém ainda explorou.

Orondoniense: Assim surgiu a história do álbum de fotos sobre a queima de fogos de final de ano [2018] em Porto Velho que viralizou na rede digital social?

Denilso de Lima -  Muita gente me pergunta o que eu estava fazendo do outro lado do rio, se eu estava passando final de ano lá ou estava com alguém em um sítio.

Eu explico que eu planejei isso durante três meses. Pelas andanças fazendo fotos e cheguei a comunidade São Sebastião proximo ao Rio Madeira. Era dia, entre os meses de setembro ou outubro, mais ou menos, no ano passado, eu tive a ideia de fazer a foto da queima de fogos da prefeitura, que acontece na praça da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, do outro lado do rio, entendendo que ninguém ainda havia feito. Para ter certeza eu conversei com algumas pessoas, não contei praticamente para quase ninguém , nem meus amigos mais próximos sabiam que eu ia fazer isso. Conversei com algumas pessoas mais antigas de Porto Velho e eles falavam que ninguém nunca havia feito o registro. Seria algo diferente.

Orondoniense: Sem festa com os amigos…

Denilso de Lima -  Eu pensei que valia a pena sacrificar a festa da virada do ano com amigos e familiares para fazer uma foto inédita. Uma coisa assim, eu fui na total curiosidade, fazer pra mim e para mostrar para meus amigos, não esperava que fosse viralizar da maneira que foi.

Os amigos chegavam e falavam para mim que a foto havia chegado nos grupos de Whatsapp, isso enche a gente de orgulho, como rondoniense. Um comentário que eu lembro era: “Porque se preocupar tanto com Copacabana se nós aqui temos o Rio Madeira”.

As fotos foram feitas dessa forma, compartilhei com forma de mostrar para meus amigos e os colegas que acompanham meu trabalho como profissional de inglês, algo inusitável. Tem muito haver com a maneira diferente de olhar, um ângulo diferente para registrar o lugar, e eu gosto muito de fazer isso!

  • Atualizada em 03/02/2018 às 19:44:46