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ENTREVISTA – Zenildo está querendo revolucionar a educação no Município à frente da SEMED com os pés no chão
O mal que tinha a Secretaria é que antes nunca trabalhou com o pedagógico

Zenildo de Souza Santos, é servidor Estatutário há 20 anos, e foi nomeado na nova gestão municipal como Secretário Municipal de Educação, área que conhece muito bem, por ser um  profissional da área, especialista em Educação Especial e já foi Diretor Administrativo e Diretor do Parlamento de Apoio ao desenvolvimento do ensino da Secretaria Municipal de Educação. Trabalha em uma pasta fundamental no cerne da estrutura da nova gestão de Porto Velho, e com a verba anual de R$ 313 milhões – aprovado pela Comissão de Orçamento do Município - de cara teve que reduzir despesas e colocar a casa em ordem, causando desconforto e incomodando os acomodados.

Tomou medidas de ajustes como redução no quadro de servidores comissionados, 50%. E mais recentemente foi destaque na mídia quando o Diário Oficial de Porto Velho divulgou outros tantos servidores que foram exonerados da sua pasta. Porém, tudo dentro de um projeto de ajuste aprovado pelo prefeito Hildon Chave (PSDB).

Por fazer uma gestão de controle e ajustes, Zenildo está revolucionando a educação municipal atendendo demandas antes esquecidas ou nunca vistas. Com mudanças sensíveis nas escolas e com projetos de introduzir o peixe na merenda escolar, assim como atualizar dados estatísticos para respaldar o planejamento de alavancar o ensino público dentro do município.

Confira abaixo a entrevista que o secretário Zenildo deu ao site O Rondoniense.

O RONDONIENSE – Recentemente houve um desconforto entre servidores da SEMED e foi enxugado o quadro de servidores comissionados. Só ficou quem realmente quer trabalhar?

ZENILDO - A Secretaria tinha quase 90 cargos comissionados, tinha comissionado que recebia 350,00 ou 400,00 que era uma ajuda e um “cala boca” para quem estava lá dentro. Quando nós reduzimos colocamos todo o corpo técnico. Então quem está lá sabe que é para trabalhar e quem ficou, que não tem cargo comissionado sabe que é para ficar trabalhando dentro de uma sede administrativa do que para uma escola. Porque tem muitos deles que não querem ficar aqui. Então o comodismo já é uma vantagem e então isso causou o incômodo entre alguns servidores. Eles pensavam: “Vem um profissional da área da educação então pra gente vai ser melhor”.  Sim, pois a minha visão de educação era essa, primeiro analisar e colocar as pessoas para trabalhar. Quando eu estava em uma escola pensava assim: “poxa a Semed que é da administração está trabalhando para mim, alguma coisa de nova vai vir”. Nunca vinha. Então se eu hoje não fizer pela escola não estou fazendo a minha parte. Então eu vivo assim, prefiro estar na escola em diversos locais, como Jaci Paraná, Atum, Marco Azul. Lugares onde niguém pisou. O meu pensamento é; que falte um servidor na sede mas não falte um professor na escola. Tanto é que reduzimos muitos e tem professor aí que estamos reduzindo. Então isso causa um certo incômodo e se não fosse para fazer isso não tinham me chamado para ser secretário, deixava do jeito ques estava. E eu apresentei a minha proposta de trabalho para o prefeito na transição. Apresentei para o gestores, assim como o Conselho Municipal de Educação, e também para o comissão de educação da Câmara Muncipal e aos servidores. E é o mesmo projeto. Qual é o projeto? Fazer o bem feito que é atender as crianças de 04 e 05 anos, que é pré escolar  fundamental de 1º ao 5º anos.

O RONDONIENSE – Um assunto que poucos falam mas é necessário comentar. E a faculdade da Prefeitura qual o destino tem dentro da atual gestão?

ZENILDO – A faculdade da Prefeitura quando eu percebi, que eu vi aquilo ali já disse que tem muita coisa errada e eu não fico com coisa errada. Já tinha 23 milhões acumulados em vagas compradas. Ninguém consegue atender, o seletivo não era bem divulgado, tinha pessoas que quando viam já estavam selecionadas. Eu pensei e levei ao prefeito (Hildon Chaves) que se eu quiser comprar eu compro a quantidade de vagas de uma faculdade. Quero 30 vagas de direito, quando custa por ano? E vou fazer uma carta de isenção só daquele valor e não a isenção de 3% como é dada e fica um montante estragando desde 2010 em cima do acumulado. Não é o foco da Secretaria, mandei transferir.

O RONDONIENSE – Qual é o maior desafio dentro da Secretaria no atual momento?

ZENILDO – Maior desafio e entender que a educação não é só o ingresso, é a permanência e a saída. Porque vocês vão ver muito falar em creche, mas o Fundamental 1, quantas escolas inauguraram? Nenhuma, hoje gastamos 7 milhões de aluguel. Se não ampliarmos nossas escolas vamos ficar jogando dinheiro fora. O que você faz com sete milhões na educação? Tem prédio alugado, como o prefeito diz, com condições sub-humanas, mas é alugado. É uma casa transformada em uma escola. Estamos com um projeto agora de ampliação de nossas salas de aulas em escolas que tem espaço. A intenção é acabar com as extenções e os aluguéis. Acabar. Estou fazendo uma gestão com os pés no chão, mas fazendo o feijão com arroz bem feito, temperado.

O RONDONIENSE – A questão da merenda escolar no município está com algumas mudanças, procede?

ZENILDO – Sim, o peixe na merenda escolar. Por que? Por que antes o que era oferecido?  A carne que tem um custo muito alto e o frango que tinha o custo baixo, mas a qualidade, o valor nutricional era bem reduzido. Então nos da Secretaria apresentamos dois projetos pilotos com duas escolas para fazer o teste de qualidade e já vamos inserir no cardápio do ano que vem porque ele vai ser um balizamento de preço. Eu pedi para os produtores fazer um peixe no valor do frango, que é o valor mais baixo, como se fossem derivados de frango. E eles estão fazendo isso, então é hamburguer de peixe, salsicha de peixe, entre outros. Quantas crianças que estudam e nunca viram um peixe na vida, nem comeram mesmo sendo da região.

O RONDONIENSE – Esse peixe que abastecerá a rede municipal será de uma cooperativa?

ZENILDO – É de uma cooperativa sim, de uma cooperativa que vivia só com aquela subsistência lá, ela não tinha pernas para crescer. O que nós fizemos com isso? Nós teremos 139 escolas que vamos ofertar e eles vão ter como oferecer. Deixa eu dar um exemplo, na escola Joaquim Vicente Rondon, são 2.600 merendas por dia. Se a cooperativa pegar só essa escola quantos empregos ela vai conseguir gerar? Ela vai agregar pessoas, vai ter como ela distribuir o peixe. Não prejudica o fornecimento nem a entresafra, pois eles armazenam 30 toneladas de peixe. Não fica em falta. Agora eu disse para eles que com as duas escolas vão ter que se organizar para ter pernas para dar continuidade. E é um projeto novo? Não, já existe no Amazonas, no Acre e por que aqui não? O que estava faltando? Então a ideia da educação hoje não é fazer coisas mirabolantes não. É fazer o que  não faziam antes.

O RONDONIENSE – E qual o problema que a Secretaria tinha antes para que ações como essas não fossem colocadas em prática?

ZENILDO - O mal que tinha a Secretaria é que antes nunca trabalhou com o pedagógico. E acontecia o que eu dei o exemplo. Lá no departamento de educação o que tinha era que cada departamento faz uma formação, cada professor andava com um processo debaixo do braço o ano todo e não conseguia comprar uma caneta, porque não entende de processo e não conseguia comprar nada. E era assim. Hoje o departamento de políticas educacionais, o nosso secretário adjunto, Marcos Aurélio Marques, está focando IDEB, vamos ter a prova institucional que é um “Avalia Porto Velho”. Essa prova vai ser aplicada aos alunos, depois vamos tabular todos os dados. Essa avaliação vai ter como base a “Prova Brasil”, o mesmo formato. Antes o aluno tinha baixo IDEB porque ia fazer a prova e não sabia que nota iria tirar na prova. Agora não. A secretaria vai trabalhar nisso, indo na sala de aula, conversar com o professor, fazer a avaliação.

O RONDONIENSE – Em relação as escolas do município os dados hoje estão atualizados?

ZENILDO -  Os dados antes dessa gestão não existiam. Hoje nós temos uma divisão que só cuida dos indicativos da Secretaria. Tanto indicativos de IDEB quanto do número de alunos em sala de aula. Antes era aleatório. Um exemplo, o número de alunos, alguém falava que era 40, 45 ou 50 mil. Então foi tabulado agora e temos 50. 887 alunos. Eu falo isso, meu secretário adjunto fala isso. Quando eu vou dar entrevista eu já tenho todos os dados. Se você chegar lá e pedir todos os dados da Secretaria, nós temos os dados. Não é cada divisão, cada departamento que produz os seus dados, é a Secretaria só. Com isso nos temos o foco de planejar. Como vamos planejar se não temos dados estatísticos para apontar se melhorou ou piorou.

  • Atualizada em 20/05/2017 às 09:33:11