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  • Mudanças socioeconômicas afetam saúde populacional do lago Puruzinho
Mudanças socioeconômicas afetam saúde populacional do lago Puruzinho
  • Fonte: Da Redação - (Aurimar Lima)
  • Publicada em 07/12/2017 às 19:46
O pesquisador afirma que a saúde é um constante fator de preocupação para os membros da comunidade do lago do Puruzinho

Uma avaliação preliminar da condição física dos moradores da comunidade do Lago do Puruzinho, próximo a Humaitá, Amazonas, despertou uma equipe de pesquisadores da universidades federais de Rondônia, Brasília e Rio de Janeiro para um objeto de pesquisa que foi além dos efeitos do mercúrio sobre a saúde da população.

A comunidade localizada as margens do lago ainda com características tradicionais de quem vive do pescado e em meio a natureza, apesar do alto o índice de mercúrio não desenvolveram, a priore, nenhuma doença ligada a ação deste produto químico mas recentemente tem sido observado e relatado em vários estudos uma série de agravos que podem decorrer das mudanças de comportamento fruto do desenvolvimento socioeconômico.

Segundo o professor e doutorando, Olakson Pedrosa, um fator considerado preocupante, e que reflete um problema em nível mundial, refere-se às mudanças nos hábitos alimentares, também chamada de transição nutricional, caracterizadas principalmente pela dependência de alimentos processados com altos níveis de conservantes, pelo consumo excessivo de óleo no preparo das refeições e pelo aumento do consumo de carboidratos e gorduras. 

O pesquisador afirma que a saúde é um constante fator de preocupação para os membros da comunidade do lago do Puruzinho, agravos como as parasitoses e doenças não transmissíveis como a hipertensão tem sido, de acordo com os entrevistados um dos maiores problemas apresentados e que precisam de maior atenção da administração pública.

 “Os moradores do Lago do Puruzinho relatam inúmeras queixas, principalmente relacionadas às doenças parasitárias e problemas de hipertensão arterial. Os mesmos consideram que tais problemas de saúde devem-se em parte ao aumento do poder aquisitivo, com isso a mudança do hábito alimentar leva ao aumento da ingestão de alimentos processados” – explicou Olakson.

A vulnerabilidade relatada pelos entrevistados reflete uma série de fatores que associados ao sedentarismo pode contribuir de maneira preocupante com elevando riscos à saúde, como é o caso das chamadas doenças da modernidade, sobrepeso, obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus e cardiopatias, hoje responsáveis por cerca de 80% das mortes nas populações dos países de baixa renda.

No lago do Puruzinho a situação apresentada na pesquisa reflete um desafio moderno em comunidades tradicionais, que suscinta ações direcionadas para educação e prevenção, tendo em vista a mudança socioeconômica da comunidade provocada por políticas públicas assistenciais, mas que está colocando em risco a saúde da pequena comunidade.

PESQUISA

Uma série de mudanças econômicas, reflexo do processo de desenvolvimento, associado ao fato de ser a maior floresta tropical do mundo, tem feito com que a Amazônia receba significativa atenção no que se refere a conservação da biodiversidade  global e regulação climática. Pesquisadores de todo mundo tentam compreender a multiplicidade de formas e as mudanças ocorridas nas últimas décadas. Essas mudanças inerentes ao processo de desenvolvimento, geralmente vem acompanhadas de uma maior integração de mercado, situação pode afetar a saúde e o bem estar das populações locais.

Considerando-se a dimensão continental da Amazônia, a complexidade e diversidade regional são características que dificultam sua compreensão, principalmente no que tange às relações entre meio ambiente e saúde. Dados de organizações não-governamentais apontam que cerca de 80% das vilas e povoados ribeirinhos às margens dos rios da Amazônia não possuem infraestrutura de saneamento ambiental, unidades de saúde ou escolas.

Ribeirinhos é a denominação utilizada para descrever as populações tradicionais, originadas ou não a partir da miscigenação entre índios, colonizadores portugueses e africanos, Esses povos vivem em pequenos agrupamentos de casas às margens dos rios, lagos e igarapés, em geral, suas casas são construídas de madeira em palafitas, ou na parte alta dos barrancos, considerando a adequação aos períodos de cheias dos rios. O ribeirinho tradicional tem na agricultura de pequena escala, no extrativismo, na pesca e na caça suas atividades de subsistência familiar, reguladas pelos ciclos de sazonalidade.

 

 

  • Atualizada em 07/12/2017 às 19:48:39